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Novos Relatos de Brasileiros
Hamilton Agle

Trabalha no Citibank
Vem da Bahia
Em Nova York entre 2000 e 2004

Fiz o meu MBA no Arizona, na Thunderbird University. Cheguei no dia 3 de maio de 1998. Me formei em dezembro 1999, tirei dois meses de férias, fui para Salvador. Voltei para os Estados Unidos e inicei meu primeiro dia de trabalho, no Citibank, no dia 28 de fevereiro de 2000. Meu primeiro rotation, ou tarefa, foi dentro do mercado doméstico americano. Eu fazia tudo o que era fusões e aquisições para o Citigroup na área de cartões de crédito, dentro do mercado local. Neste período, viajei muito dentro dos Estados Unidos, fui para lugares que eu nunca teria ido. South Dakota, North Carolina, Atlanta, Mineapolis, Chicago – enfim, tive uma oportunidade de viver como americano, de conviver exclusivamente com este mercado. Num desses projetos de fusão e aquisição, conheci um americano que estava envolvido com um projeto no Brasil. Ele me levantou a possibilidade de trabalhar junto a ele. Fiquei extremamente animado – pela primeira vez morando aqui, eu iria ter este contato ou estreitar o meu relacionamento com o Brasil. Então, assim que eu voltei do meu casamento – casei no dia sete de julho de 2000 – acabei parando em São Paulo, e batendo um papo com quem viria a ser o meu chefe.

Então, passei a morar em Nova York, mas trabalhar na América Latina. Foi quando começou uma rotina de trabalho não muito usual. Enquanto todo mundo em Nova York pegava um trem, um táxi ou até um carro para ir para o trabalho, eu pegava um avião. Minha rotina de viagem quase que semanal era sempre para algum lugar da América Latina. Logicamente o Brasil era o destino para o qual eu mais ia, mas eu tive a oportunidade de conhecer quase todos os países da América Latina. Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Panamá, Costa Rica, Guatemala, Bahamas, Porto Rico. No primeiro ano, eu conhecia quase todos estes países, foi uma experiência única. Você participar do dia-a-dia destes países, e conhecer as pessoas de lá. Isso, sem dúvida, era o que eu mais gostava – conhecer gente com uma cultura completamente diferente. Apesar de a América Latina falar a mesma língua, com excessão de nós, brasileiros, ela é extremamente heterogênea. Você vai para a Colômbia, e lá eles tem uma forma de fazer negócio. Você vai para o país vizinho, que é a Venezuela, e é tudo totalmente distinto. Então este entendimento da cultura latino-americana é uma das coisas que ganhei, e que me enruqueceu como pessoa e como profissional. Um profissional que teve oportunidade de trabalhar e se envolver com diversos tipos de cultura. Minha vida nos últimos quatro anos foi basicamente assim: final de semana em Nova York, e durante a semana em algum lugar da América Latina. Nos últimos dois anos, a média era uma viagem para o Brasil, a cada duas semanas. De vez em quando eu chegava no Brasil de manhã e voltava na mesma noite. Tomava café-da-manhã e jantava no Brasil, no outro dia, tomava café-da-manhã em Nova York. Era um ritmo extremamente intenso. Somei quase dois milhões e meio de milhas voadas em quatro anos. Eu diria que é uma quantidade razoável de sono e de noites dormidas em aviões – mas acabei me acostumando. Foi uma experiência extremamente interessante e diferente.